"Sim, senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam. Prosterno-me diante delas. Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as. Amo tanto as palavras. As inesperadas." P. Neruda.




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sobre amor, formas e sobras disformes







Carlos não queria mais amores possíveis
não queria mais amores prováveis
não queria mais amores apropriados
aplicáveis
condizentes
aclimados
concordes
adaptados
mais que bem ajustados.


Carlos desejava profundamente
o amor que embaraça
que deforma o peito
que dá forma à alma.
Amor que
em noite de brisa boa
pousa desajeitado na cena.
Amor que atrapalha planos
com rebarbas morrudas, arestas,
antenas longilíneas.

Amor daqueles que,
em caixa de maiores tesouros
ou porta-joias de bailarina exata,

não cabe.



2 comentários:

Fabio Rocha disse...

Perfeito...

J.F. de Souza disse...

transcendendo todas as limitações! :D

:*