"Sim, senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam. Prosterno-me diante delas. Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as. Amo tanto as palavras. As inesperadas." P. Neruda.




segunda-feira, 26 de março de 2012

Matiz




Às margens da cor azul,
verde e amarelo ressonam
roxo esquenta mais do que esfria
meu cobertor de infância
Bege não gosto, cor de lesma,
Marrom é quase preto
E doce é cor e cheiro de abóbora.
A boca é pink maravilha
embora às vezes carmesim,
ruminando impropérios
cor-de-burro-quando-foge.
Pincelando lado a lado
bordas de céu 
no fim da paisagem
sobra um dourado que
só sabe quem já viu
pôr-de-sol em caleidoscópio.
O branco dos sinais de paz
fica bem esvoaçando rendas na janela
e em nada mais. É uma cor cansada.
Laranja! Lá dos pomares
de argila ocre de Padre Nóbrega.
O verde das palmeiras oscila prata e cinza.
Azul sonoro de uma certa baía nipônica.


Longe léguas, distingo bem:
este vento cor de saudade
reflete e dança na cor dos meus olhos.



2 comentários:

Andreia Repsold disse...

Nice...:)

Laerte Guimarães disse...

A vida vista em cores, seja ao vivo ou em flashback, é sempre mais bela, com certeza...